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Automacao Industrial

Calculadora de Velocidade de Esteira Transportadora e Potencia do Motor

Descubra a que velocidade uma esteira transportadora se move e quanta potencia o motor precisa entregar para carregar o material morro acima. Informe o diametro do tambor de acionamento, a rotacao do motor e a relacao de reducao, e a ferramenta devolve a velocidade da esteira em metros por segundo e em pes por minuto. Some a vazao de material, o comprimento, a inclinacao, a massa da esteira e a eficiencia do acionamento, e ela calcula a tensao efetiva, a potencia do motor em kW e em hp, e mostra quanto vai para vencer o atrito e quanto vai para elevar a carga.

A conta segue o modelo de resistencia principal da ISO 5048 e da DIN 22101, o mesmo que os manuais de engenharia usam para um dimensionamento de primeira aproximacao. Ela abre com um exemplo resolvido ja preenchido, aceita entradas metricas ou imperiais e sempre relata kW e hp lado a lado. Gratuita, sem cadastro, e os seus numeros ficam no seu navegador.

Em resumo: a velocidade de uma esteira transportadora sai de v = pi x D x N, onde D e o diametro do tambor de acionamento e N e a rotacao da esteira, igual a rotacao do motor dividida pela relacao de reducao. A potencia do motor sai da tensao efetiva vezes a velocidade, dividida pela eficiencia do acionamento. No exemplo padrao, um tambor de 0,32 m a 1450 rpm por uma reducao de 20:1 da 1,21 m/s (239 fpm), e a carga de 120 t/h sobre 30 m a 10 graus exige cerca de 2,59 kW (3,47 hp).

Configuracao

Carga e inclinacao

Esteira e acionamento

Resultado do transportador

2,59 kWpotencia de motor necessaria

Potencia do motor
2.59 kW (3.5 hp)
Velocidade da esteira
1.21 m/s (239 fpm)
Tensao efetiva da esteira
1919 N (431 lbf)
Potencia para vencer atrito
0.63 kW
Potencia para elevar a carga
1.70 kW
Carga sobre a esteira
27.4 kg/m
Fluxo de material
120.0 t/h

O motor precisa de cerca de 2,59 kW (3,5 hp) a 1,21 m/s (239 fpm). A elevacao pela inclinacao e o maior consumo. Acrescente um fator de servico e escolha o proximo motor padrao.

O que a ferramenta calcula

A calculadora responde a duas perguntas que andam sempre juntas em um projeto de transporte continuo: a que velocidade a esteira anda e quanta potencia o motor precisa entregar. A primeira parte da geometria do acionamento. Voce informa o diametro do tambor de acionamento, a rotacao do motor e a relacao de reducao do redutor, e a ferramenta calcula a rotacao da esteira e a velocidade linear na superficie do tambor. Se voce ja conhece a velocidade da esteira, pode digita-la direto e pular essa etapa.

A segunda parte e a potencia. Com a vazao de material, o comprimento do transportador, a inclinacao, a massa da esteira mais as partes moveis e a eficiencia do acionamento, a ferramenta monta a tensao efetiva na correia transportadora e a multiplica pela velocidade para achar a potencia na esteira. Dividindo pela eficiencia do acionamento chega-se a potencia que o motor precisa fornecer. O resultado ainda separa quanto dessa potencia vai vencer o atrito ao longo do percurso e quanto vai erguer o material contra a gravidade, o que costuma ser a informacao que muda uma decisao de projeto.

As formulas por tras do resultado

A velocidade da esteira vem de v = pi x D x N, onde D e o diametro do tambor de acionamento e N e a rotacao da esteira em rotacoes por unidade de tempo. A rotacao da esteira, por sua vez, e a rotacao do motor dividida pela relacao de reducao. Em unidades SI, com D em metros e N em rotacoes por segundo, a velocidade sai em metros por segundo; em unidades imperiais, com D em pes e N em rotacoes por minuto, ela sai em pes por minuto.

A carga sobre a esteira, ou massa de material por metro, e mm = Q / v, onde Q e a vazao de massa em quilos por segundo e v e a velocidade em metros por segundo. Esse numero diz quantos quilos de material a esteira carrega em cada metro de comprimento. A tensao efetiva usa o modelo de resistencia principal mais elevacao da ISO 5048 e da DIN 22101 em forma simplificada: Te = f x g x L x (2 x mb + mm) x cos(a) + mm x g x H. Aqui f e o fator de atrito, g e 9,81, L e o comprimento, mb e a massa da esteira mais partes moveis por metro, a e o angulo de inclinacao e H = L x sen(a) e a elevacao vertical.

A potencia na esteira e simplesmente Te x v, a tensao efetiva vezes a velocidade. A potencia do motor e essa potencia dividida pela eficiencia do acionamento, porque o redutor, os mancais e o acoplamento consomem uma parte antes que o trabalho chegue a esteira. O primeiro termo da tensao, com o cosseno, e a resistencia ao movimento e vira a parcela de atrito da potencia; o segundo termo, com a elevacao H, e o peso do material erguido e vira a parcela de elevacao. As duas somadas dao a potencia total, e ver as duas separadas explica de imediato onde o motor gasta o seu esforco.

Velocidade da esteira a partir do acionamento

O tambor de acionamento e o cilindro que puxa a esteira, e a superficie dele se move na mesma velocidade que a correia. Por isso a velocidade linear depende apenas de duas coisas: o tamanho do tambor e a rapidez com que ele gira. Um tambor maior avanca mais correia a cada volta, e uma rotacao maior da mais voltas por minuto. A relacao de reducao entra porque o motor eletrico gira rapido, tipicamente entre 900 e 1800 rpm, enquanto a esteira precisa andar devagar, de forma que um redutor divide a rotacao e multiplica o torque na mesma proporcao.

No exemplo padrao, um motor a 1450 rpm passa por uma reducao de 20:1 e chega ao tambor a 72,5 rpm. Com um tambor de 0,32 m de diametro, a circunferencia e pi x 0,32, cerca de 1,005 m, e a 72,5 voltas por minuto a esteira avanca perto de 72,9 m por minuto, ou 1,21 m por segundo, o que equivale a 239 pes por minuto. Esse encadeamento, do motor rapido ao tambor lento e dai a velocidade linear, e a razao de a ferramenta pedir rotacao e relacao de reducao em vez de so pedir a velocidade. Ainda assim, se o dado que voce tem e a velocidade medida com um tacometro na correia, o modo de entrada direta aceita esse valor.

Para onde vai a potencia do motor

Nem toda a potencia de um transportador faz a mesma coisa, e separar as parcelas ajuda a entender o projeto. Uma parte vence o atrito: a resistencia dos roletes girando, da correia flexionando e do material sendo arrastado ao longo do percurso. Essa parcela depende do fator de atrito, do comprimento, da massa da esteira e da massa do material, e existe mesmo em um transportador perfeitamente horizontal. Quanto mais longo o transportador e mais pesada a correia carregada, maior a fatia de atrito.

A outra parte ergue o material. Em um transportador inclinado, o motor levanta cada quilo de carga por toda a altura vertical do percurso, e essa parcela de elevacao segue a fisica direta da energia potencial: peso vezes altura. Ela nao depende do comprimento em si, mas da elevacao vertical, ou seja, do quanto a carga sobe. No exemplo padrao, a parcela de atrito e de 0,63 kW e a parcela de elevacao e de 1,70 kW, de modo que erguer a carga consome quase tres vezes mais que vencer o atrito. Em uma inclinacao apreciavel, a elevacao quase sempre domina, e e por isso que o mesmo transportador na horizontal precisaria de um motor bem menor.

Inclinacao, elevacao e por que o angulo pesa tanto

O angulo de inclinacao entra na conta de duas maneiras. No termo de atrito, ele aparece como cosseno, e para angulos moderados o cosseno fica proximo de 1, de forma que a resistencia ao movimento quase nao muda. No termo de elevacao, ele aparece como seno, atraves da altura H = L x sen(a), e o seno cresce rapido com o angulo. Por isso um transportador que sobe 10 graus ao longo de 30 m ergue a carga em cerca de 5,21 m de altura, e essa subida e o que faz a potencia de elevacao disparar.

A ferramenta deixa voce informar a inclinacao de duas formas equivalentes: pelo angulo em graus ou pela elevacao vertical em metros. As duas descrevem a mesma geometria, e voce escolhe a que tiver em maos. Se o desenho do transportador traz a altura entre a alimentacao e a descarga, use a elevacao vertical; se o projeto especifica o angulo da estrutura, use o angulo. Vale lembrar que inclinacoes muito acentuadas tem um limite pratico ligado ao material: acima de um certo angulo o material comeca a escorregar de volta pela correia lisa, e ai entram correias com nervuras, taliscas ou canaletas, que sao um assunto de selecao de correia alem do escopo deste modelo simplificado.

Cinco exemplos resolvidos de velocidade e potencia

Exemplo 1: alimentador inclinado de granel (o padrao)

Um tambor de acionamento de 0,32 m gira a 1450 rpm atraves de uma reducao de 20:1, o que da uma velocidade de esteira de 1,21 m/s (239 fpm). A esteira leva 120 t/h de granel ao longo de 30 m subindo 10 graus, com esteira mais partes moveis de 16 kg/m, fator de atrito de 0,03 e eficiencia de acionamento de 90%. O resultado e uma potencia de motor de 2,59 kW (3,47 hp), com tensao efetiva de 1.919 N. A parcela de elevacao e de 1,70 kW contra 0,63 kW de atrito. A licao e clara: em uma inclinacao, o termo de elevacao costuma dominar, e desprezar a subida subestima muito o motor.

Exemplo 2: esteira longa e horizontal

Aqui o tambor tem 0,40 m e gira a 1200 rpm por uma reducao de 15:1, levando a esteira a 80 rpm e a uma velocidade de 1,68 m/s (330 fpm). A carga e de 200 t/h ao longo de 60 m completamente na horizontal, com esteira de 20 kg/m, atrito de 0,03 e eficiencia de 90%. A potencia sai em 2,40 kW (3,23 hp), com tensao efetiva de 1.292 N e carga sobre a esteira de 33,2 kg/m. Como o angulo e zero, a parcela de elevacao e nula e toda a potencia vai para o atrito. A licao: na horizontal, o comprimento e o atrito sao tudo o que importa, e alongar a esteira ou carrega-la mais pesa direto no motor.

Exemplo 3: transportador de rampa acentuada

Um tambor de 0,25 m a 1750 rpm com reducao de 25:1 leva a esteira a 70 rpm e a 0,92 m/s (180 fpm). A carga e de 80 t/h ao longo de 40 m subindo 18 graus, com esteira de 14 kg/m, atrito de 0,033 e eficiencia de 88%. A potencia salta para 3,73 kW (5,00 hp), com tensao efetiva de 3.584 N (806 lbf). A parcela de elevacao e de 2,69 kW contra 0,59 kW de atrito, e a carga sobe 12,36 m de altura. A licao: rampa acentuada significa tensao alta, entao e preciso conferir a resistencia da correia e prever um dispositivo de retencao contra o retorno.

Exemplo 4: declive que se aciona sozinho (regeneracao)

Neste caso a velocidade e informada direto, 1,5 m/s (295 fpm), e a esteira desce. A carga e de 150 t/h ao longo de 50 m a menos 12 graus, com esteira de 18 kg/m, atrito de 0,03 e eficiencia de 90%. A potencia do motor sai negativa, cerca de menos 3,19 kW (menos 4,28 hp), porque a parcela de elevacao de menos 4,25 kW supera o atrito de 1,38 kW. A licao: no declive a carga empurra a esteira, e o que voce precisa nao e de um motor maior, e sim de um freio ou de um acionamento regenerativo e de um dispositivo de retencao para controlar a descida com seguranca.

Exemplo 5: linha de embalagem em unidades imperiais

Com o seletor em imperial, um tambor de 16 in a 1750 rpm por uma reducao de 20:1 da 367 fpm (1,86 m/s). A carga e de 300 TPH ao longo de 120 ft subindo 8 graus, com esteira de 12 lb/ft, atrito de 0,03 e eficiencia de 90%. A potencia e de 5,88 kW (7,88 hp), com tensao efetiva de 2.841 N (639 lbf). A licao: a ferramenta aceita entradas imperiais e mesmo assim relata a potencia em kW e hp lado a lado, para que uma equipe que trabalha em polegadas e libras compare direto com um catalogo de motores em kW.

Tres dicas de especialista para dimensionar o acionamento

Dimensione para o pior caso, nao para a media

A potencia que a calculadora devolve e a de regime, com a esteira ja em movimento e a carga distribuida. O motor real, porem, precisa dar conta da pior combinacao possivel: uma esteira totalmente carregada partindo em uma inclinacao na manha mais fria, quando os mancais estao rigidos e o material esta pesado e umido. Por isso aplique um fator de servico, comumente de 1,2 a 1,5, sobre a potencia calculada e escolha o proximo motor padrao acima. Subir um degrau de potencia custa pouco na compra e evita um motor que sofre para partir e vive superaquecido.

A velocidade da esteira e um compromisso

Para a mesma tonelada por hora, uma esteira mais rapida carrega uma secao transversal menor de material, o que permite uma correia mais estreita e, muitas vezes, um motor menor por metro. Em troca, a velocidade maior traz mais derramamento nas curvas e nos pontos de transferencia, mais desgaste dos roletes e da correia, e mais ruido. Esteiras de granel costumam operar entre 1 e 3,5 m/s, algo em torno de 200 a 700 fpm, e a faixa adequada depende do material: finos leves toleram velocidade alta, enquanto pedras grandes e abrasivas pedem velocidade baixa para nao castigar o equipamento.

Cuide do declive e da tensao de partida

Um transportador em declive pode acelerar sozinho e disparar, porque a carga empurra a correia morro abaixo, e nesse caso ele precisa de um freio ou de um dispositivo de retencao, nao de mais potencia de motor. Alem disso, a tensao de esticamento tem que manter a correia sem escorregar no tambor de acionamento no instante da partida, quando o torque e maior. O numero simples de potencia nao captura essas duas condicoes, entao trate o freio, a retencao e a tensao de esticamento como itens de projeto a parte, sempre que houver declive ou partidas frequentes com carga.

Escolher a velocidade certa para o material

A velocidade da esteira nao e um numero livre; ela conversa com a largura da correia, com o tipo de material e com os pontos de transferencia. Para uma dada vazao, dobrar a velocidade permite reduzir pela metade a carga por metro, o que abre espaco para uma correia mais estreita e um motor por metro menor. Esse ganho, no entanto, tem limites. Materiais finos e secos, como graos ou po, viajam bem em velocidades altas, mas materiais grossos, pesados e abrasivos, como minerio britado, geram muito impacto e desgaste quando a esteira corre rapido, alem de derramar nas curvas.

Na pratica, cada material tem uma faixa recomendada nos manuais de engenharia, e o projetista escolhe um ponto dentro dela olhando tambem para o ruido e para a poeira levantada. Uma esteira que serve a uma linha de embalagem leve pode andar depressa sem problema, enquanto uma que alimenta um britador com blocos grandes precisa de velocidade baixa e correia larga. A ferramenta ajuda nesse ajuste porque mostra na hora como a potencia e a tensao respondem quando voce muda a velocidade, mantendo a mesma tonelada por hora.

CEMA e o modelo simplificado desta calculadora

Existem dois grandes caminhos para dimensionar um transportador de correia. O metodo rigoroso norte-americano esta na publicacao da CEMA, “Belt Conveyors for Bulk Materials”, hoje na setima edicao, que detalha resistencias principais, secundarias e especiais, alem da selecao de roletes, da correia e da tensao de esticamento. O caminho europeu, da ISO 5048 e da DIN 22101, organiza as mesmas resistencias em torno de um fator de atrito artificial que resume a resistencia principal ao longo do percurso. Esta calculadora segue essa segunda linha em forma simplificada: resistencia principal mais elevacao.

O que isso significa na pratica e que o resultado e uma primeira aproximacao muito util, boa para estudos de viabilidade, para comparar alternativas e para checar se um motor existente da conta. O que ele nao inclui sao as resistencias secundarias dos pontos de alimentacao, das raspagem e das flexoes localizadas, a selecao detalhada de roletes e de correia e o calculo da tensao de esticamento no tambor de retorno. Para um projeto que vai a fabricacao, complemente este numero com o metodo completo da CEMA ou da DIN e com o software do fabricante da correia, que fecham as parcelas que o modelo simplificado deixa de fora.

Metrico e imperial na mesma ferramenta

Transportadores sao especificados em unidades diferentes conforme o pais e o fornecedor, e a calculadora aceita as duas familias. No modo metrico, o diametro do tambor vem em metros, a vazao em toneladas por hora, o comprimento em metros e a massa da esteira em quilos por metro, e a potencia sai em kW. No modo imperial, o diametro vem em polegadas, a vazao em toneladas curtas por hora, o comprimento em pes e a massa da esteira em libras por pe. Independentemente da escolha, o resultado traz sempre a velocidade em m/s e fpm, e a potencia em kW e hp.

Relatar as duas unidades ao mesmo tempo evita o erro classico de comparar um projeto feito em uma familia com um catalogo escrito na outra. Um engenheiro que dimensiona em polegadas e libras pode levar o kW resultante direto para uma folha de dados de motor europeia, e um que trabalha em metros pode conferir o hp contra um catalogo americano. Como 1 hp equivale a 0,7457 kW, 1 fpm a 0,00508 m/s e 1 lbf a cerca de 4,45 N, a ferramenta faz essas conversoes internamente e voce so precisa garantir que a unidade de entrada corresponde ao dado que tem em maos.

Declive, frenagem e recuperacao de energia

Quando um transportador desce, a gravidade deixa de ser um custo e passa a ser uma fonte. A carga empurra a correia morro abaixo, e se essa forca supera o atrito do percurso, o sistema tende a acelerar sozinho. Nesse cenario a potencia calculada sai negativa, como no quarto exemplo, e o sinal negativo e a informacao importante: nao ha demanda de motor a suprir, e sim energia a dissipar ou recuperar. Um transportador em declive precisa de um freio para conter a descida e, em muitos casos, de um dispositivo de retencao que impeca o retorno com a maquina desligada.

Se o declive e longo e a energia disponivel e grande, vale a pena um acionamento regenerativo, que converte o movimento em eletricidade e devolve a energia a rede em vez de queima-la em resistores. Essa decisao liga o transportador ao tema mais amplo de eficiencia da planta, e por isso costuma andar junto de analises do silo de Gestao Energetica, onde o consumo e a recuperacao de energia sao avaliados de forma integrada. Para o dimensionamento seguro do declive, no entanto, o freio e a retencao vem primeiro, antes de qualquer conta de economia.

O fator de atrito e o que ele representa

O fator de atrito neste modelo nao e o coeficiente de atrito entre dois blocos, e sim um fator artificial que resume toda a resistencia principal ao movimento ao longo do transportador: o giro dos roletes nos mancais, a flexao da correia ao passar pelos roletes e a deformacao do material sobre a correia. Valores tipicos ficam entre 0,020 e 0,035 para transportadores bem alinhados, limpos e com roletes em bom estado, e sobem quando o alinhamento e ruim, os mancais estao gastos ou o material e pegajoso e frio.

Escolher esse fator com cuidado importa porque ele multiplica toda a parcela de atrito. Um transportador novo e bem mantido pode usar 0,020, enquanto um antigo, sujo ou operando em clima frio se aproxima de 0,035 ou mais. Como a parcela de atrito domina em transportadores horizontais e longos, um erro no fator de atrito se traduz direto em erro na potencia. Na duvida, use um valor um pouco conservador, porque subestimar o atrito deixa o motor apertado justamente nas condicoes mais dificeis, que sao as de partida a frio com carga cheia.

A massa da esteira e das partes moveis

O termo mb na formula reune a massa por metro de tudo que se move junto com a carga: a correia superior, a correia de retorno e as partes girantes dos roletes que acompanham o movimento. Ele entra multiplicado por dois na resistencia porque a correia percorre o transportador na ida carregada e na volta vazia, e as duas passagens geram atrito. Por isso uma correia mais pesada, mais larga ou com mais camadas aumenta a parcela de atrito mesmo antes de qualquer material ser colocado sobre ela.

Na pratica, esse valor vem da folha de dados da correia e dos roletes, ou de uma estimativa a partir da largura e do tipo de correia. Correias leves de linhas de embalagem podem ficar em poucos quilos por metro, enquanto correias de granel pesado, largas e reforcadas, passam de vinte ou trinta quilos por metro. Como a massa da esteira aparece na parcela de atrito e nao na de elevacao, ela pesa mais em transportadores longos e horizontais, e menos em rampas curtas e acentuadas, onde a elevacao da carga e que manda.

Tensao de esticamento e agarramento no tambor

A tensao efetiva que a calculadora mostra e a diferenca de tensao que o acionamento precisa impor para mover a carga, mas ela nao e a tensao total na correia. Para que o tambor de acionamento consiga transmitir essa tensao sem escorregar, a correia precisa de uma tensao de esticamento minima, garantida por um sistema de esticamento com contrapeso ou por parafuso. Esse esticamento mantem a correia agarrada ao tambor no instante da partida, quando o torque e mais alto, e evita que ela patine e desgaste.

O calculo do esticamento envolve o angulo de abracamento da correia sobre o tambor e o coeficiente de atrito entre a correia e a superficie do tambor, atraves da relacao de Euler-Eytelwein. Esse detalhe esta fora do escopo do modelo simplificado, que foca na potencia de regime, mas e essencial em um projeto real. Uma esteira pode ter potencia de motor de sobra e ainda assim patinar na partida se o esticamento for insuficiente, entao trate a tensao de esticamento e o torque de partida como uma verificacao separada da conta de potencia.

Onde esta calculadora e usada

Ela serve a qualquer operacao que mova material a granel ou embalado sobre uma correia: mineracao, pedreiras, cimento, portos, usinas de acucar e etanol, plantas de racao, reciclagem, alimentos e centros de distribuicao. Engenheiros de projeto a usam para uma primeira estimativa de motor antes de detalhar o transportador, e equipes de manutencao a usam para checar se um acionamento existente aguenta uma nova carga ou uma nova inclinacao apos uma modificacao de layout.

Ela tambem apoia decisoes de compra e de retrofit. Ao avaliar se vale trocar a rota de um transportador, aumentar a vazao ou elevar a descarga, a ferramenta mostra na hora como a potencia e a tensao respondem, o que evita comprar um motor grande demais ou pequeno demais. Como o transporte se conecta ao arranjo fisico da planta, essas analises costumam andar junto do silo de Infraestrutura Industrial e do de Producao Enxuta, onde o fluxo de material e o espaco sao pensados em conjunto.

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Perguntas frequentes sobre velocidade de esteira e potencia do motor

O que esta calculadora de esteira transportadora faz?

Ela calcula duas coisas ligadas entre si: a velocidade a que a esteira transportadora se move e a potencia que o motor precisa entregar. A partir do diametro do tambor de acionamento, da rotacao do motor e da relacao de reducao, ela acha a velocidade da esteira em m/s e em fpm. Com a vazao de material, o comprimento, a inclinacao, a massa da esteira e a eficiencia do acionamento, ela calcula a tensao efetiva, a potencia em kW e hp e separa quanto vai para vencer o atrito e quanto vai para elevar a carga. Segue o modelo de resistencia principal mais elevacao da ISO 5048 e da DIN 22101, como uma primeira aproximacao de projeto.

Qual e a formula da velocidade da esteira?

A velocidade linear e v = pi x D x N, onde D e o diametro do tambor de acionamento e N e a rotacao da esteira. A rotacao da esteira, por sua vez, e a rotacao do motor dividida pela relacao de reducao. Por exemplo, um motor a 1450 rpm com uma reducao de 20:1 leva o tambor a 72,5 rpm; com um tambor de 0,32 m, a circunferencia e cerca de 1,005 m, e a velocidade fica em 1,21 m/s, ou 239 fpm. Como a superficie do tambor de acionamento se move na mesma velocidade da correia, essa conta simples da a velocidade da esteira. Se voce ja mediu a velocidade com um tacometro, pode informa-la direto na ferramenta.

Como se calcula a potencia do motor de um transportador?

Primeiro monta-se a tensao efetiva pela formula Te = f x g x L x (2 x mb + mm) x cos(a) + mm x g x H, que soma a resistencia ao movimento e o peso do material erguido. A potencia na esteira e Te x v, a tensao efetiva vezes a velocidade. A potencia do motor e essa potencia dividida pela eficiencia do acionamento, porque o redutor e os mancais consomem uma parte antes de o trabalho chegar a esteira. No exemplo padrao, isso da 2,59 kW (3,47 hp). Esse e o valor de regime; para o motor real, aplique um fator de servico e escolha o proximo motor padrao acima.

Como a inclinacao muda a potencia necessaria?

A inclinacao acrescenta a parcela de elevacao, que ergue o material contra a gravidade. Essa parcela e o peso do material por metro vezes a altura vertical do percurso, e cresce rapido com o angulo, porque depende do seno. No exemplo padrao, subir 10 graus ao longo de 30 m eleva a carga em 5,21 m e consome 1,70 kW so na elevacao, contra 0,63 kW de atrito. Em transportadores inclinados, a elevacao costuma dominar a potencia total, e por isso o mesmo transportador na horizontal precisaria de um motor bem menor. Desprezar a subida subestima muito o motor.

O que acontece em um transportador em declive?

No declive a carga empurra a esteira morro abaixo, e a gravidade deixa de ser um custo para virar uma fonte de energia. Se essa forca supera o atrito, o sistema tende a acelerar sozinho e a potencia calculada sai negativa. Isso significa que nao ha demanda de motor a suprir, e sim energia a controlar. Um transportador em declive precisa de um freio para conter a descida e, muitas vezes, de um dispositivo de retencao contra o retorno. Em declives longos, um acionamento regenerativo pode devolver a energia a rede. O ponto central e que a resposta nao e um motor maior, e sim frenagem e retencao adequadas.

Que fator de atrito devo usar?

O fator de atrito aqui e um valor artificial que resume toda a resistencia principal ao movimento: o giro dos roletes, a flexao da correia e a deformacao do material. Valores tipicos ficam entre 0,020 e 0,035 para transportadores bem alinhados, limpos e com roletes em bom estado. Um transportador novo e bem mantido usa a ponta baixa da faixa; um antigo, sujo ou operando em clima frio se aproxima de 0,035 ou mais. Como a parcela de atrito domina em transportadores horizontais e longos, um erro no fator se traduz direto em erro na potencia. Na duvida, use um valor um pouco conservador para nao deixar o motor apertado na partida a frio com carga cheia.

O que e a massa da esteira mais partes moveis?

E a massa por metro de tudo que se move junto com a carga: a correia superior, a correia de retorno e as partes girantes dos roletes. Ela entra na formula multiplicada por dois, porque a correia percorre o transportador carregada na ida e vazia na volta, e as duas passagens geram atrito. Correias leves de linhas de embalagem ficam em poucos quilos por metro, enquanto correias de granel largas e reforcadas passam de vinte ou trinta quilos por metro. O valor vem da folha de dados da correia e dos roletes. Como essa massa aparece na parcela de atrito e nao na de elevacao, ela pesa mais em transportadores longos e horizontais.

O que e um fator de servico e por quanto multiplicar?

O fator de servico e uma margem que voce aplica sobre a potencia de regime calculada para cobrir a pior condicao de operacao: uma esteira totalmente carregada partindo em uma inclinacao na manha mais fria, com mancais rigidos e material pesado. Valores comuns vao de 1,2 a 1,5, dependendo da severidade do servico, da frequencia de partidas e da confiabilidade exigida. Multiplique a potencia calculada por esse fator e escolha o proximo motor padrao acima. Subir um degrau de potencia custa pouco na compra e evita um motor que sofre para partir, aquece demais e falha cedo. A conta de regime da a base; o fator de servico protege a partida.

A ferramenta funciona em unidades imperiais?

Sim. No modo imperial, o diametro do tambor vem em polegadas, a vazao em toneladas curtas por hora, o comprimento em pes e a massa da esteira em libras por pe. Nao importa a familia de unidades escolhida, o resultado traz sempre a velocidade em m/s e fpm e a potencia em kW e hp lado a lado. Isso evita o erro de comparar um projeto feito em uma familia com um catalogo escrito na outra. Um engenheiro que trabalha em polegadas e libras pode levar o kW resultante direto para uma folha de dados de motor em kW, e quem trabalha em metros pode conferir o hp contra um catalogo americano.

Qual e a relacao entre velocidade da esteira e capacidade?

Para uma dada vazao em toneladas por hora, a carga por metro de esteira e a vazao dividida pela velocidade. Isso significa que uma esteira mais rapida carrega menos material por metro, o que permite uma correia mais estreita e, muitas vezes, um motor por metro menor. Em troca, a velocidade maior traz mais derramamento, mais desgaste e mais ruido. Esteiras de granel costumam operar entre 1 e 3,5 m/s, cerca de 200 a 700 fpm, e a faixa adequada depende do material: finos leves toleram velocidade alta, enquanto pedras grandes e abrasivas pedem velocidade baixa. A ferramenta mostra na hora como potencia e tensao respondem quando voce muda a velocidade.

Por que a elevacao costuma dominar a potencia?

Porque erguer material contra a gravidade e caro em energia, e o termo de elevacao cresce rapido com o angulo, ja que depende do seno. O termo de atrito, ao contrario, depende do cosseno, que quase nao muda em angulos moderados, e da resistencia dos roletes e da correia, que e relativamente pequena por metro. No exemplo padrao, a elevacao consome 1,70 kW contra 0,63 kW de atrito, quase tres para um. Sempre que o transportador sobe uma altura apreciavel, a maior parte da potencia vai para levantar a carga. Por isso o mesmo transportador na horizontal, sem elevacao, precisaria de um motor bem menor, e por isso a inclinacao merece atencao no projeto.

Qual e a diferenca entre este modelo e o metodo completo da CEMA?

Esta calculadora usa o modelo de resistencia principal mais elevacao da ISO 5048 e da DIN 22101, uma primeira aproximacao boa para estudos, comparacoes e verificacao de um motor existente. O metodo completo da CEMA, na publicacao “Belt Conveyors for Bulk Materials”, acrescenta as resistencias secundarias dos pontos de alimentacao e de transferencia, as resistencias especiais, a selecao detalhada de roletes e de correia e o calculo da tensao de esticamento. Para um projeto que vai a fabricacao, complemente este numero com o metodo completo da CEMA ou da DIN e com o software do fabricante da correia, que fecham as parcelas que o modelo simplificado deixa de fora.

O que e tensao efetiva e ela e a tensao total da correia?

A tensao efetiva e a diferenca de tensao que o acionamento precisa impor para mover a carga, e e ela que a calculadora multiplica pela velocidade para achar a potencia. Ela nao e a tensao total na correia. Para que o tambor de acionamento transmita essa tensao sem escorregar, a correia precisa de uma tensao de esticamento minima, garantida por um contrapeso ou por parafuso, que a mantem agarrada ao tambor na partida. O calculo do esticamento envolve o angulo de abracamento e a relacao de Euler-Eytelwein, e esta fora do escopo deste modelo. Uma esteira pode ter potencia de sobra e ainda patinar na partida se o esticamento for insuficiente.

Esta calculadora e gratuita e guarda meus dados?

Sim, a ferramenta e gratuita e sem cadastro, e todo o calculo acontece no seu navegador. Os numeros que voce digita nunca sao enviados a um servidor, armazenados ou compartilhados. Voce ainda pode baixar um PDF limpo, exportar um CSV ou compartilhar o resultado. Esta calculadora serve para estudo, planejamento e verificacao de primeira aproximacao; confirme qualquer numero que embase uma compra de motor, um projeto de transportador ou uma decisao de seguranca com o metodo completo da CEMA ou da DIN, com o software do fabricante da correia e com um engenheiro qualificado.

Fontes, aviso legal e transparencia editorial

As formulas de velocidade, tensao efetiva e potencia usadas aqui seguem o modelo de resistencia principal mais elevacao das normas ISO 5048 e DIN 22101, e o metodo rigoroso de referencia e o da CEMA, “Belt Conveyors for Bulk Materials” (setima edicao). Este e um modelo simplificado de primeira aproximacao: um projeto completo acrescenta as resistencias secundarias, a selecao de roletes e de correia e o calculo da tensao de esticamento. Esta calculadora e este guia sao criados e revisados pela equipe da OpsCalculators; veja a nossa Politica Editorial para saber como cada ferramenta e pesquisada, construida e testada.

Os resultados sao estimativas precisas para planejamento e educacao, nao um substituto de um projeto de engenharia detalhado, das folhas de dados do fabricante ou de uma verificacao da tensao de esticamento e do torque de partida. Valide os valores com o metodo completo da CEMA ou da DIN e com um engenheiro qualificado antes de uma compra de motor ou de uma decisao de seguranca, sobretudo em transportadores em declive, onde freio e retencao sao essenciais. Veja o nosso Aviso Legal completo. OpsCalculators.com e operado por MAFHH INTERNATIONAL LTD. Os seus dados sao processados no seu navegador e nunca sao armazenados; veja a nossa Politica de Privacidade.