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Calculadora de Dimensionamento de Gerador (kW / kVA)
Descubra o tamanho do grupo gerador que a sua planta precisa, em kW e em kVA, a partir da carga conectada, do fator de potencia, do fator de demanda, do maior motor e do metodo de partida. A ferramenta separa a exigencia em regime do pico que aparece quando o maior motor parte, escolhe o maior dos dois e aplica a margem de seguranca, de modo que voce nao subdimensione nem pague por um alternador grande demais. Gratis, sem cadastro, e os seus numeros ficam no navegador.
Em resumo: um gerador de emergencia se dimensiona pelo maior de dois numeros. O primeiro e a carga em regime em kVA com a margem somada. O segundo e o pico que ocorre quando o maior motor da partida, porque a corrente de partida chega a cinco vezes a corrente nominal do motor. Na maioria das plantas industriais o pico de partida governa, e por isso um motor grande partindo direto na linha pode exigir um grupo bem maior do que a carga estavel sugere. Informe os seus valores para ler o kVA recomendado, o kW correspondente e qual fator define o tamanho.
Gerador recomendado
307,5 kVApotencia aparente que o alternador precisa
- Recomendado (kW)
- 246,0 kW
- Carga em regime
- 120,0 kW / 150,0 kVA
- Pico de partida do motor
- 307,5 kVA
- Fator que dimensiona
- Partida de motor
- Corrente em regime
- 216,5 A
Escolha um grupo de pelo menos 307,5 kVA. O tamanho e definido pelo pico de partida do motor. Uma partida de motor mais suave reduziria o pico e permitiria um equipamento menor.
O que a calculadora determina
Informe a carga conectada da instalacao em kW, o fator de potencia tipico das cargas, o fator de demanda que descreve quanto dessa carga funciona ao mesmo tempo, a potencia do maior motor, o metodo pelo qual esse motor parte e a margem de seguranca desejada. Com esses dados a ferramenta calcula duas exigencias diferentes. A primeira e a carga em regime, ou seja, a potencia aparente em kVA que o gerador precisa entregar de forma continua depois que tudo esta ligado e estavel. A segunda e o pico momentaneo que surge no instante em que o maior motor da partida, somado ao que o restante da planta ja consome.
O gerador recomendado e o maior desses dois numeros, e nao a soma deles. A ferramenta mostra o kVA que dimensiona o alternador, o kW correspondente naquele fator de potencia, a carga em regime separada em kW e kVA, o valor do pico de partida, qual dos dois fatores governou a escolha e a corrente em regime a partir da tensao trifasica informada. O resultado e um primeiro dimensionamento defensavel, o ponto de partida de uma conversa com o fornecedor do grupo, e nao a especificacao final de compra.
Vale entender o que cada entrada representa antes de confiar no resultado. A carga conectada e a soma nominal de tudo que pode operar, o fator de demanda corta essa soma para o que roda junto, o fator de potencia traduz kW em kVA, o maior motor e a maior fonte isolada de surto e o metodo de partida define o tamanho desse surto. Errar qualquer uma dessas entradas move o resultado, e por isso a ferramenta mostra os passos intermediarios em vez de apenas um numero final: assim voce confere de onde veio o tamanho e onde esta a folga para ajustar.
kW e kVA, e o papel do fator de potencia
Um gerador tem dois limites, e os dois importam. O motor a diesel entrega potencia ativa, medida em kW, que e o trabalho real que aciona bombas, esteiras e compressores. O alternador entrega potencia aparente, medida em kVA, que combina a potencia ativa com a potencia reativa que as cargas indutivas exigem. A relacao entre as duas e o fator de potencia: kVA e igual a kW dividido pelo fator de potencia. Com um fator de potencia tipico de 0,8, cada 1 kW pede cerca de 1,25 kVA do alternador.
Essa distincao decide o dimensionamento. Se voce dimensiona so pelos kW, subestima a corrente que o alternador precisa fornecer e o enrolamento fica pequeno. Se dimensiona so pelos kVA, pode acabar com um motor a diesel maior do que a carga ativa justifica. Um grupo gerador e vendido com as duas classificacoes, por exemplo 300 kVA e 240 kW num fator de potencia de 0,8, e as duas precisam cobrir a sua carga. A calculadora trabalha em kVA para o alternador e converte de volta para kW no fator de potencia informado, para que voce compare os dois limites com o que o catalogo oferece.
A exigencia em regime
A carga em regime comeca na carga conectada, que e a soma das potencias de tudo que pode ser ligado. Poucas plantas funcionam com tudo ligado ao mesmo tempo, e por isso multiplicamos pela demanda, o fator de demanda, que reflete a fracao que de fato opera junto. A carga em regime em kW e a carga conectada vezes o fator de demanda. Depois dividimos pelo fator de potencia para chegar a carga em regime em kVA, porque e em kVA que o alternador e classificado.
A esse valor soma-se uma margem de seguranca, para cobrir crescimento futuro, incertezas na estimativa e a variacao normal da operacao. A recomendacao a partir do regime e a carga em regime em kVA multiplicada por um mais a margem. No exemplo padrao a carga conectada de 150,0 kW com fator de demanda 0,8 da 120,0 kW em regime, que a um fator de potencia de 0,8 vira 150,0 kVA, e com 25% de margem chega a 187,5 kVA. Esse e o piso do gerador se nao houvesse nenhum motor grande partindo. Quase sempre ha, e o proximo passo explica por que ele muda a conta.
Por que a partida do motor e a verdadeira restricao
Um motor de inducao parado se comporta quase como um curto-circuito no instante em que recebe tensao. Antes de o rotor ganhar velocidade, ele puxa uma corrente de partida da ordem de cinco a sete vezes a corrente nominal, e faz isso com um fator de potencia de partida muito baixo, tipicamente entre 0,2 e 0,4. A combinacao de corrente alta e fator de potencia baixo produz uma exigencia de kVA por poucos segundos que supera de longe o consumo em regime do mesmo motor.
Para o gerador esse instante e brutal. A rede publica absorve o surto com facilidade porque tem uma fonte praticamente infinita atras dela. Um grupo gerador nao tem essa folga: o alternador precisa fornecer o surto sem que a tensao caia demais, e a tensao que cai afeta todo o resto da planta ao mesmo tempo. Por isso o pico de partida, e nao a carga estavel, costuma ser o numero que dimensiona o alternador. Ignorar essa fisica e a causa mais comum de um gerador que trava, dispara protecao ou apaga luzes cada vez que um motor grande entra.
Ha ainda um efeito de segunda ordem que reforca o problema. A queda de tensao durante a partida reduz o conjugado do proprio motor que esta partindo, o que prolonga o tempo de aceleracao e mantem a corrente alta por mais tempo. Um alternador subdimensionado, portanto, nao apenas sofre o surto: ele o alonga. Um grupo com folga de kVA segura a tensao, o motor acelera rapido e o surto passa em poucos segundos. Essa e a razao pratica de dimensionar o alternador com a partida em mente, e nao apenas garantir que ele aguente a carga depois que tudo estabiliza.
O metodo de partida e o seu fator
O quanto o motor puxa na partida depende de como voce o liga. A partida direta na linha aplica a tensao plena de uma vez e produz o maior surto, cerca de cinco vezes a potencia nominal do motor em kVA. A partida estrela-triangulo reduz a tensao no arranque e corta o surto para cerca de tres vezes. O soft starter, ou chave de partida suave, controla a rampa de tensao e leva o surto para perto de duas vezes. O inversor de frequencia, o VFD, acelera o motor a partir de uma frequencia baixa e mantem a corrente de partida perto de uma vez e meia a nominal.
A escolha do metodo altera diretamente o tamanho do gerador. Trocar um motor grande de partida direta para soft starter pode reduzir o pico o suficiente para que o gerador deixe de ser dimensionado pela partida e passe a ser dimensionado pelo regime, que e um numero menor. Por isso o metodo de partida e um campo de projeto, e nao um detalhe eletrico isolado. A calculadora aplica o fator do metodo selecionado ao maior motor para estimar o surto que ele impoe.
Cada metodo traz um compromisso. A partida direta e a mais barata e simples, mas impoe o maior surto ao gerador e o maior choque mecanico a correia, ao acoplamento e a carga. A estrela-triangulo reduz o surto sem eletronica, ao custo de um degrau de corrente na transicao entre os dois estagios. O soft starter suaviza a rampa e protege a tensao, e o inversor vai alem, controlando velocidade e conjugado, mas os dois adicionam custo e, no caso do inversor, harmonicos que o dimensionamento precisa considerar. A escolha equilibra o preco do dispositivo de partida contra o preco de um alternador maior e contra o desgaste mecanico de partidas bruscas repetidas.
O pico durante a partida do motor
O pico nao e so o motor. No instante em que o maior motor da partida, o restante da planta continua ligado e consumindo. O pico de partida e a soma da carga em regime das outras cargas, em kVA, com a exigencia de partida do maior motor, tambem em kVA. E esse total que o alternador precisa segurar por alguns segundos sem deixar a tensao afundar.
No exemplo padrao, enquanto o motor de 30 kW da partida, as outras cargas somam (150 menos 30) vezes 0,8, dividido por 0,8, o que da 120,0 kVA. A partida direta do motor de 30 kW puxa cerca de 187,5 kVA. O pico e 120,0 mais 187,5, ou 307,5 kVA. Esse e o numero que dimensiona o alternador no caso padrao, bem acima dos 187,5 kVA que o regime com margem pediria. A diferenca entre os dois numeros e exatamente o custo de partir um motor grande direto na linha.
Escolher o grupo como o maior dos dois
Com as duas exigencias na mao, o gerador se dimensiona pelo maior delas. A primeira e a recomendacao a partir do regime, a carga em regime em kVA vezes um mais a margem. A segunda e o pico de partida do motor. A ferramenta compara as duas e escolhe a maior, porque um grupo que atende o regime mas trava na partida nao serve, e um grupo que atende a partida sempre atende o regime com folga.
No exemplo padrao a recomendacao a partir do regime e 187,5 kVA e o pico de partida e 307,5 kVA, entao 307,5 kVA governa. Convertido para potencia ativa no fator de potencia de 0,8, isso e cerca de 307,5 vezes 0,8, ou 246,0 kW. O painel de resultados marca qual fator dimensionou, para que voce saiba de imediato se o caminho para um grupo menor passa por reduzir o regime ou por suavizar a partida. Na maioria das plantas industriais o caminho e suavizar a partida.
A margem de seguranca por aplicacao
A margem de seguranca cobre o que a conta nao ve: crescimento da carga, erros de estimativa, envelhecimento do equipamento e a diferenca entre a carga de projeto e a carga real de um dia agitado. Ela nao e um numero unico. Para uma aplicacao residencial ou leve, uma margem de cerca de 15 a 20% costuma bastar. Para uma instalacao comercial, o intervalo tipico e de 25 a 30%. Para uma carga critica, como um data center ou um hospital, a pratica sobe para 30 a 40%, porque a consequencia de ficar sem energia e severa.
A margem se aplica sobre o regime, nao sobre o pico de partida, que ja e um valor momentaneo com a sua propria folga embutida no fator do metodo. Exagerar na margem tem um custo real, tratado mais adiante: um grupo a diesel que passa a vida operando muito abaixo da sua capacidade se desgasta e consome mais. O objetivo e uma margem que proteja o crescimento sem condenar o motor a trabalhar leve demais no ponto normal de operacao.
A corrente em regime a partir da tensao
Depois de conhecer a carga em regime em kVA, a corrente que ela representa depende da tensao do sistema. Num sistema trifasico a corrente em regime e a carga em regime em kVA vezes 1000, dividido pela raiz de tres vezes a tensao entre fases. A raiz de tres, cerca de 1,732, aparece porque a potencia se reparte entre as tres fases.
No exemplo padrao, com 150,0 kVA em regime e 400 V trifasicos, a corrente e 150 vezes 1000, dividido por 1,732 vezes 400, o que da cerca de 216,5 A. Esse valor orienta o dimensionamento dos cabos, dos disjuntores e da chave de transferencia entre a rede e o gerador, itens que precisam suportar a corrente continua sem aquecer. A corrente de partida instantanea e muito maior, e por isso os dispositivos de protecao precisam de uma curva que tolere o surto sem disparar, o que se especifica junto com o grupo.
Como ler o painel de resultados
O numero em destaque e o gerador recomendado em kVA, a potencia aparente que o alternador precisa fornecer. Logo abaixo aparece o kW recomendado, o mesmo tamanho expresso em potencia ativa no fator de potencia informado, que e como a folha de dados do motor a diesel classifica o grupo. Comparar os dois com um catalogo mostra na hora se um modelo padrao cobre as suas duas exigencias.
A carga em regime e mostrada em kW e em kVA para deixar claro de onde parte a conta. O pico de partida do motor aparece marcado, e a linha do fator que dimensiona diz em palavras se foi a partida do motor ou o regime que governou o tamanho. A corrente em regime fecha o painel para o dimensionamento eletrico. Se o fator que dimensiona indica a partida do motor e o pico esta muito acima do regime, o painel esta lhe dizendo que suavizar a partida e a alavanca mais barata para reduzir o grupo.
Os limites do metodo
Este e um primeiro dimensionamento, e nao um estudo completo. A conta trata a carga como blocos de kW e kVA e nao modela a queda de tensao transitoria durante a partida, que precisa ficar acima de cerca de 80% da nominal para que o resto da planta nao sofra. Alternadores com margem de kVA folgada seguram melhor essa queda, mas o valor exato depende da reatancia do alternador, um dado que so o fornecedor fornece.
O metodo tambem nao trata as cargas nao lineares, como inversores, UPS e retificadores, que injetam harmonicos e podem exigir um alternador de maior porte ou um projeto especifico. Nao modela o sequenciamento de partida por degraus, em que as cargas entram em etapas para reduzir o pico, nem o derating por altitude e temperatura, que reduz a potencia disponivel em locais quentes ou elevados. Confirme com o fornecedor a classificacao momentanea do alternador e o derating do conjunto antes de fechar a compra.
Onde esta calculadora se encaixa
Ela serve a quem precisa de um tamanho defensavel de grupo gerador antes de falar com um fornecedor: engenheiros de instalacoes, gerentes de manutencao, integradores eletricos e projetistas de infraestrutura de planta. O calculo separa o que a intuicao costuma juntar, o regime e a partida, e mostra qual dos dois manda, o que muda a conversa de compra de um chute redondo para uma escolha justificada.
Como a ferramenta trabalha com o metodo de partida como variavel, ela tambem serve para estudar cenarios: quanto o grupo encolhe se o maior motor passar a partir por soft starter, ou o que acontece com a corrente se a tensao do sistema mudar. O grafico dos fatores de dimensionamento mostra o regime, o pico e o recomendado lado a lado, para que a decisao seja visivel e facil de explicar a quem aprova o investimento.
Erros comuns a evitar
O primeiro erro e dimensionar so pela carga em regime e ignorar a partida dos motores, o que produz um grupo que atende o dia calmo e trava quando o maior motor entra. O segundo e confundir kW com kVA, dimensionar o alternador pelos kW e descobrir que o enrolamento nao aguenta a corrente reativa. O terceiro e somar o regime com o pico de partida em vez de tomar o maior dos dois, o que leva a um grupo grande demais e caro.
Um quarto erro e partir todos os motores grandes direto na linha por habito, quando um soft starter ou um inversor reduziria o pico e o proprio gerador. Um quinto e sobredimensionar por regra fixa, deixando o motor a diesel operar leve demais, o que causa desgaste e consumo. Separe o regime da partida, trabalhe em kVA para o alternador, tome o maior dos dois numeros, suavize as maiores partidas e carregue o grupo entre 70 e 80% no ponto normal, e o dimensionamento fica correto.
Cinco exemplos resolvidos
Exemplo 1: a exigencia em regime
Comece com o cenario padrao: uma carga conectada de 150,0 kW, fator de potencia 0,8, fator de demanda 0,8, o maior motor de 30 kW, margem de seguranca de 25% e um sistema trifasico de 400 V. A carga em regime em kW e 150 vezes 0,8, que da 120,0 kW. Dividindo pelo fator de potencia de 0,8, a carga em regime em kVA e 120 dividido por 0,8, ou seja, 150,0 kVA. Aplicando a margem de 25%, a recomendacao a partir do regime e 150,0 vezes 1,25, o que da 187,5 kVA. Se nenhum motor grande partisse, esse seria o piso do gerador. O proximo exemplo mostra por que ele quase nunca e o numero final.
Exemplo 2: o surto de partida do motor
O maior motor tem 30 kW. Convertido para potencia aparente no fator de potencia de 0,8, a sua potencia nominal em kVA e 30 dividido por 0,8, ou 37,5 kVA. Partindo direto na linha, ele puxa cerca de cinco vezes esse valor por poucos segundos, ou seja, 37,5 vezes 5, que da 187,5 kVA. Esse surto acontece com um fator de potencia de partida muito baixo, e vem por cima do que o resto da planta ja consome. Observe que so o surto do motor, 187,5 kVA, ja iguala a recomendacao inteira a partir do regime. Esse e o sinal de que a partida vai governar o tamanho.
Exemplo 3: o pico durante a partida
Enquanto o motor de 30 kW da partida, o restante da planta continua ligado. As outras cargas em regime sao (150 menos 30) vezes 0,8, dividido por 0,8, o que da 120,0 kVA. Somando o surto de partida do motor, 187,5 kVA, o pico total e 120,0 mais 187,5, ou 307,5 kVA. Esse e o instante mais exigente para o alternador, e e o numero que dimensiona o gerador. Note que ele nao inclui a margem de seguranca do regime: o surto de partida ja carrega a sua propria folga no fator do metodo, e some-lo a margem do regime seria contar a folga duas vezes.
Exemplo 4: escolher o grupo
Agora compare as duas exigencias. A recomendacao a partir do regime com margem e 187,5 kVA. O pico de partida do motor e 307,5 kVA. O gerador precisa cobrir o maior dos dois, entao 307,5 kVA governa. Convertido para potencia ativa no fator de potencia de 0,8, isso e 307,5 vezes 0,8, ou cerca de 246,0 kW. Ou seja, o grupo precisa de um alternador de pelo menos 307,5 kVA e um motor a diesel de cerca de 246,0 kW. Repare que a partida quase dobrou o tamanho que o regime sozinho pediria, de 187,5 para 307,5 kVA, e todo esse acrescimo veio de um unico motor partindo direto na linha.
Exemplo 5: suavizar a partida
Troque o motor de 30 kW para um soft starter, que limita o surto a cerca de duas vezes a potencia nominal em kVA. O surto de partida cai de 187,5 para 37,5 vezes 2, ou 75,0 kVA. O pico durante a partida passa a ser 120,0 mais 75,0, ou 195,0 kVA. Como esse valor ainda supera a recomendacao a partir do regime de 187,5 kVA, o pico continua governando, mas agora o gerador pode encolher de 307,5 para cerca de 195,0 kVA. O metodo de partida, e nao a carga em regime, decidiu o tamanho, e trocar o metodo cortou o grupo em mais de um terco sem mexer numa unica carga.
Tres dicas de especialista
Dimensione pelo pico de partida, nao pelo regime
A tentacao natural e somar as cargas em regime, aplicar a margem e comprar esse grupo. Numa planta com um motor grande de partida direta, esse caminho subdimensiona o alternador e produz um grupo que trava, dispara protecao ou apaga luzes cada vez que o motor entra. Um unico motor grande partindo direto na linha pode dobrar ou triplicar o gerador que a carga estavel sugeriria. Calcule sempre o pico de partida, compare com a recomendacao a partir do regime e dimensione pelo maior dos dois. O painel marca qual fator governou justamente para que essa escolha nao passe despercebida.
Suavize as maiores partidas
Quando o pico de partida governa, a alavanca mais barata quase nunca e comprar um alternador maior. E reduzir o surto do maior motor com um soft starter ou um inversor de frequencia. Um soft starter leva o surto de cerca de cinco vezes para cerca de duas vezes a nominal, e um inversor o leva para perto de uma vez e meia. Cortar o surto costuma sair mais barato do que subir uma faixa de gerador, e protege a tensao para o resto da planta, porque a queda transitoria durante a partida cai junto. Avalie o custo do dispositivo de partida contra o custo de um grupo maior antes de decidir.
Nao sobredimensione por regra fixa
Existe a crenca de que um gerador maior e sempre mais seguro. Nao e. Um grupo a diesel que opera de forma continua abaixo de cerca de 40% da sua capacidade sofre o chamado wet stacking, o acumulo de combustivel nao queimado que suja os cilindros, prejudica a combustao e reduz a vida do motor. Depois de somar a margem, procure carregar o grupo entre 70 e 80% no ponto normal de operacao. Uma margem existe para cobrir crescimento e incerteza, nao para deixar o motor trabalhar leve a vida inteira. Dimensione com folga suficiente e nenhuma folga a mais.
Perguntas frequentes
Como se dimensiona um gerador?
Um gerador se dimensiona pelo maior de dois numeros. O primeiro e a carga em regime em kVA com a margem de seguranca somada: multiplique a carga conectada pelo fator de demanda para achar o kW em regime, divida pelo fator de potencia para achar o kVA em regime e aplique a margem. O segundo e o pico que aparece quando o maior motor da partida, somando a carga em regime das outras cargas ao surto de partida desse motor. O gerador recomendado e o maior desses dois valores em kVA, e o kW correspondente e esse kVA vezes o fator de potencia. Na maioria das plantas industriais o pico de partida governa.
Qual a diferenca entre kW e kVA, e o que e o fator de potencia?
O kW e a potencia ativa, o trabalho real que o motor a diesel entrega para acionar as cargas. O kVA e a potencia aparente que o alternador fornece, e combina a potencia ativa com a potencia reativa que as cargas indutivas exigem. A relacao entre elas e o fator de potencia: kVA e igual a kW dividido pelo fator de potencia. Com um fator de potencia tipico de 0,8, cada 1 kW pede cerca de 1,25 kVA. Um grupo gerador e vendido com as duas classificacoes, por exemplo 300 kVA e 240 kW, e as duas precisam cobrir a sua carga, por isso o alternador se dimensiona em kVA.
O que e o fator de demanda?
O fator de demanda e a fracao da carga conectada que de fato opera ao mesmo tempo. Poucas plantas ligam tudo de uma vez, entao usar a carga conectada inteira superdimensiona o grupo. Se a carga conectada e 150,0 kW e o fator de demanda e 0,8, a carga em regime e 150 vezes 0,8, ou 120,0 kW. O fator vem do conhecimento do processo: quantas maquinas rodam juntas num turno tipico. Um fator alto demais infla o gerador e o custo, e um fator baixo demais arrisca um grupo que nao aguenta um dia de pico. Estime pelo perfil real de operacao, nao pela lista de equipamentos.
Por que a partida do motor governa o tamanho?
Um motor de inducao parado puxa uma corrente de partida de cinco a sete vezes a nominal, com um fator de potencia de partida muito baixo, por poucos segundos. Essa combinacao produz uma exigencia de kVA que supera de longe o consumo em regime do motor. A rede publica absorve o surto com facilidade, mas um grupo gerador nao tem essa folga: o alternador precisa fornecer o surto sem deixar a tensao cair demais para o resto da planta. Por isso, numa instalacao com um motor grande, o pico de partida costuma superar a carga em regime com margem e passa a ser o numero que dimensiona o alternador.
Quais sao os fatores de partida por metodo?
O surto de partida depende do metodo. A partida direta na linha aplica tensao plena e puxa cerca de cinco vezes a potencia nominal do motor em kVA. A partida estrela-triangulo reduz o surto para cerca de tres vezes. O soft starter, ou chave de partida suave, leva o surto para perto de duas vezes. O inversor de frequencia, o VFD, mantem a corrente de partida perto de uma vez e meia a nominal. Trocar o metodo do maior motor muda diretamente o pico e, com ele, o tamanho do gerador. Por isso o metodo de partida e uma decisao de projeto que vale avaliar antes de comprar o grupo.
Como se calcula o pico de partida do motor?
O pico de partida e a soma de duas parcelas em kVA. A primeira e a carga em regime das outras cargas, ou seja, a planta sem o motor que esta partindo. A segunda e o surto de partida do maior motor, que e a sua potencia nominal em kVA vezes o fator do metodo de partida. No exemplo padrao as outras cargas somam 120,0 kVA e o surto do motor de 30 kW partindo direto na linha e 187,5 kVA, entao o pico e 120,0 mais 187,5, ou 307,5 kVA. Esse pico nao inclui a margem de seguranca do regime, porque o surto ja carrega a sua propria folga no fator do metodo.
Qual margem de seguranca devo usar?
A margem cobre crescimento futuro, erro de estimativa e a variacao normal da operacao, e depende da aplicacao. Para uma carga residencial ou leve, cerca de 15 a 20% costuma bastar. Para uma instalacao comercial, o intervalo tipico e de 25 a 30%. Para uma carga critica, como um data center ou um hospital, a pratica sobe para 30 a 40%, porque a consequencia de faltar energia e severa. A margem se aplica sobre a carga em regime, nao sobre o pico de partida. Evite exagerar: uma margem grande demais faz o grupo operar leve, o que causa desgaste e consumo maiores.
Como calcular a corrente em regime a partir da tensao?
Num sistema trifasico a corrente em regime e a carga em regime em kVA vezes 1000, dividido pela raiz de tres vezes a tensao entre fases. A raiz de tres, cerca de 1,732, aparece porque a potencia se reparte entre as tres fases. No exemplo padrao, com 150,0 kVA em regime e 400 V, a corrente e 150 vezes 1000, dividido por 1,732 vezes 400, o que da cerca de 216,5 A. Esse valor orienta o dimensionamento dos cabos, dos disjuntores e da chave de transferencia. A corrente de partida instantanea e muito maior, entao as protecoes precisam de uma curva que tolere o surto sem disparar.
Como converter kVA em kW?
Para converter kVA em kW, multiplique o kVA pelo fator de potencia: kW e igual a kVA vezes o fator de potencia. Com um fator de potencia de 0,8, um alternador de 307,5 kVA corresponde a 307,5 vezes 0,8, ou cerca de 246,0 kW. No sentido inverso, para achar o kVA a partir do kW, divida o kW pelo fator de potencia. Um grupo gerador e classificado nas duas unidades, e as duas precisam cobrir a sua carga. Use o fator de potencia real das suas cargas na conversao, porque um fator diferente de 0,8 muda a relacao entre as duas classificacoes.
Por que carregar o diesel entre 70 e 80%?
Um grupo a diesel foi projetado para operar sob carga. Quando roda de forma continua abaixo de cerca de 40% da capacidade, sofre o wet stacking, o acumulo de combustivel nao queimado que suja os cilindros e a exaustao, prejudica a combustao e reduz a vida do motor. Por isso, depois de somar a margem de seguranca, o alvo e carregar o grupo entre 70 e 80% no ponto normal de operacao. Isso deixa folga para o pico e para o crescimento sem condenar o motor a trabalhar leve. Sobredimensionar por regra fixa parece seguro, mas custa em desgaste, consumo e manutencao.
O que o metodo deixa de fora?
Este e um primeiro dimensionamento e trata a carga como blocos de kW e kVA. Ele nao modela a queda de tensao transitoria durante a partida, que deve ficar acima de cerca de 80% da nominal e depende da reatancia do alternador. Nao trata as cargas nao lineares, como inversores, UPS e retificadores, que injetam harmonicos e podem exigir um alternador maior. Nao modela o sequenciamento de partida por degraus nem o derating por altitude e temperatura, que reduz a potencia disponivel em locais quentes ou elevados. Confirme com o fornecedor a classificacao momentanea do alternador e o derating do conjunto antes da compra.
O sistema deve ser monofasico ou trifasico?
A maioria das cargas industriais e comerciais com motores usa alimentacao trifasica, porque motores trifasicos partem melhor e usam o cobre de forma mais eficiente. A calculadora usa a formula trifasica para a corrente em regime, com a raiz de tres no denominador. Um sistema monofasico atende cargas menores, tipicamente residenciais ou comerciais leves, e a corrente se calcula sem a raiz de tres, dividindo apenas pela tensao. Se a sua instalacao tem motores de porte, quase sempre ela e trifasica, e a tensao a informar e a tensao entre fases, por exemplo 380 ou 400 V.
Devo dimensionar pela soma do regime com a partida?
Nao. Somar a recomendacao a partir do regime com o pico de partida conta a mesma carga duas vezes e leva a um grupo grande demais e caro. O correto e tomar o maior dos dois numeros. A recomendacao a partir do regime ja inclui todas as cargas em regime com a margem. O pico de partida ja inclui as outras cargas em regime mais o surto do maior motor. Como as duas descrevem o mesmo instante por caminhos diferentes, o gerador precisa cobrir o maior deles, nao a soma. No exemplo padrao, isso e 307,5 kVA, e nao 187,5 mais 307,5.
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Fontes, isencao de responsabilidade e transparencia editorial
O metodo de separar o regime da partida, os fatores de partida por metodo, a regra do maior dos dois numeros e os limites descritos aqui seguem praticas reconhecidas de engenharia eletrica e de dimensionamento de grupos geradores, incluindo o material da Motormac sobre grupos geradores e o guia de A Geradora sobre dimensionamento de gerador. As distancias e conversoes usam o fator de potencia informado, e recomenda-se confirmar a classificacao momentanea do alternador e o derating com o fornecedor. Esta calculadora e este guia sao construidos e revisados pela equipe da OpsCalculators; veja a nossa Politica Editorial para saber como cada ferramenta e pesquisada, construida e testada.
Os resultados sao estimativas para planejamento e educacao, e nao substituem um projeto eletrico assinado nem a consulta ao fornecedor do grupo. O metodo modela um primeiro dimensionamento e nao trata a queda de tensao transitoria, os harmonicos, o sequenciamento de partida nem o derating por altitude e temperatura, entao valide o resultado antes de uma decisao de compra ou de projeto. Veja a nossa Aviso Legal completa. A OpsCalculators.com e operada pela MAFHH INTERNATIONAL LTD. Os seus dados sao processados no navegador e nunca sao armazenados; veja a nossa Politica de Privacidade.