Inicio / Infraestrutura Industrial / Bitola de Cabo
Calculadora de Bitola de Cabo
Descubra a bitola do condutor que o seu circuito precisa, em mm2, a partir da tensao, da corrente de carga, do comprimento do trecho, do material e da queda de tensao permitida. A ferramenta dimensiona o cabo pelos dois criterios que de fato mandam, a capacidade de corrente e a queda de tensao, e escolhe sempre a maior das duas bitolas, arredondada para o proximo valor padrao da NBR 5410. Assim voce nao especifica um cabo que aquece nem um cabo que perde tensao demais no caminho. Gratis, sem cadastro, e os seus numeros ficam no navegador.
Em resumo: um cabo se dimensiona por dois criterios que precisam ser atendidos ao mesmo tempo. O primeiro e a capacidade de corrente, a menor bitola cuja capacidade de conducao cobre a corrente de projeto. O segundo e a queda de tensao, a area minima que mantem a perda de tensao no trecho dentro do limite permitido. A bitola recomendada e a maior das duas, subida ao proximo valor padrao. No exemplo trifasico de 400 V, 80 A e 100 m em cobre com 3 por cento de queda, a capacidade de corrente pede 25 mm2 e a queda de tensao pede 35 mm2, entao a queda de tensao define a bitola: 35 mm2, com queda real de 8,9 V (2,22 por cento). Informe os seus valores para ler a corrente de projeto, a bitola por cada criterio, qual criterio define e a queda de tensao na bitola escolhida.
Cabo recomendado
35 mm2a maior entre a bitola por capacidade e por queda de tensao
- Corrente de projeto
- 80,0 A
- Bitola por capacidade de corrente
- 25 mm2
- Bitola por queda de tensao
- 35 mm2 (25,9 mm2)
- Criterio que define
- Queda de tensao
- Queda de tensao nesta bitola
- 8,9 V (2,22 %)
- Capacidade desta bitola
- 125 A
Use pelo menos 35 mm2. A queda de tensao no trecho define a bitola, nao a capacidade de corrente.
O que a calculadora determina
Informe o numero de fases do circuito, a tensao, o comprimento de uma via do trecho em metros, a corrente de carga em amperes ou a carga em kW com o fator de potencia, o material do condutor e a queda de tensao permitida em percentual. Com esses dados a ferramenta percorre os dois criterios que decidem uma bitola e mostra cada passo, em vez de entregar so um numero final. A intencao e deixar visivel de onde veio a bitola, e nao pedir que voce confie num resultado fechado.
O resultado traz a corrente de projeto, a bitola exigida pela capacidade de corrente, a bitola exigida pela queda de tensao com a area minima entre parenteses, qual dos dois criterios define a escolha, a queda de tensao real na bitola recomendada em volts e em percentual, e a capacidade de conducao dessa bitola. A bitola recomendada e sempre a maior entre as duas, subida ao proximo valor padrao da escada da NBR 5410, porque condutores nao sao fabricados em qualquer secao.
Vale entender o que cada entrada representa antes de confiar no numero. A corrente de projeto e a corrente que o circuito de fato conduz, ja com o acrescimo de carga continua se for o caso. O comprimento e a distancia de uma via, ida apenas, porque a formula ja considera o percurso completo. A queda permitida traduz o quanto de tensao o circuito pode perder no caminho sem prejudicar o equipamento. Errar qualquer uma dessas entradas move a bitola, e por isso a ferramenta expoe os passos intermediarios.
Os dois criterios que decidem um cabo
Um condutor precisa satisfazer dois criterios ao mesmo tempo, e nao apenas um. O primeiro e a capacidade de corrente, tambem chamada de capacidade de conducao ou ampacidade: o cabo tem de conduzir a corrente de projeto sem que o isolamento aqueca acima da temperatura de regime. O segundo e a queda de tensao: a perda de tensao ao longo do trecho tem de ficar dentro de um limite, para que o equipamento no fim da linha receba tensao suficiente.
Os dois criterios apontam bitolas diferentes conforme o circuito. Em um trecho curto com corrente alta, a capacidade de corrente costuma mandar. Em um trecho longo com corrente moderada, a queda de tensao costuma mandar, porque a perda cresce com o comprimento. A regra de dimensionamento e simples: calcule a bitola por cada criterio separadamente e escolha a maior das duas. Atender so um deixa o cabo vulneravel ao outro, e um cabo que passa na tabela de capacidade ainda pode reprovar na queda de tensao de um alimentador longo.
Capacidade de corrente e o que a reduz
A capacidade de corrente de um cabo e um valor de tabela que depende do material do condutor, da temperatura de regime do isolamento e do metodo de instalacao. Um cabo de cobre de 25 mm2 com isolamento para 70 graus, por exemplo, tem uma capacidade de referencia da ordem de 101 A em um metodo de instalacao comum. Esse valor de tabela e um ponto de partida, e nao um numero fixo para toda situacao.
Varios fatores reduzem essa capacidade de referencia. A temperatura ambiente elevada corta a capacidade, porque sobra menos margem termica ate o limite do isolamento. O agrupamento de varios circuitos carregados no mesmo eletroduto ou na mesma bandeja corta a capacidade, porque os cabos se aquecem uns aos outros. O metodo de instalacao muda a dissipacao de calor: um cabo enterrado, um cabo em eletroduto aparente e um cabo em bandeja perfurada dissipam calor de formas diferentes. Cada um desses fatores multiplica a capacidade de tabela por um coeficiente menor que 1, e por isso a capacidade real de campo costuma ficar abaixo do valor de referencia.
O acrescimo de 125 por cento para carga continua
Uma carga e considerada continua quando opera na corrente maxima por tres horas ou mais, como iluminacao permanente, cargas de processo e muitos motores em regime. Para uma carga continua, a boa pratica dimensiona o condutor e a protecao para 125 por cento da corrente, ou seja, multiplica a corrente por 1,25. O acrescimo cobre o aquecimento acumulado ao longo de horas de operacao sem interrupcao.
No exemplo padrao a carga nao e continua, entao a corrente de projeto e igual aos 80 A informados. Se a mesma carga fosse continua, a corrente de projeto passaria a 80 vezes 1,25, ou seja, 100 A, e a bitola por capacidade de corrente subiria de degrau. O acrescimo se aplica ao criterio de capacidade, que e sobre aquecimento; a queda de tensao usa a corrente de operacao real. A ferramenta aplica o fator quando voce marca a caixa de carga continua, para que a comparacao entre os dois criterios seja feita com a corrente correta em cada um.
A formula da queda de tensao
A queda de tensao ao longo de um condutor cresce com a resistividade do material, o comprimento do trecho e a corrente, e cai com a area da secao. Em um circuito monofasico a queda e Vd = 2 x rho x L x I / S, com o fator 2 porque a corrente percorre a ida e a volta. Em um circuito trifasico equilibrado a queda entre fases e Vd = raiz de tres x rho x L x I / S. Aqui rho e a resistividade, cerca de 0,0224 ohm mm2 por metro para o cobre aquecido, L e o comprimento de uma via em metros, I e a corrente e S e a area da secao em mm2.
Para dimensionar, a formula se inverte para achar a area minima que mantem a queda dentro do limite. A area minima e S = k x rho x L x I / Vd_permitida, com k igual a 2 no monofasico e raiz de tres no trifasico, e Vd_permitida igual a tensao multiplicada pelo limite percentual. No exemplo padrao, S = raiz de tres x 0,0224 x 100 x 80 dividido por (400 x 0,03), o que da 25,9 mm2. Esse e o menor cobre que segura a queda de tensao dentro de 3 por cento naquele trecho, antes de subir para o valor padrao.
A queda de tensao permitida por uso
O limite de queda de tensao nao e um numero unico: ele depende do tipo de circuito e da norma. Na pratica dos Estados Unidos, recomenda-se cerca de 3 por cento em um circuito terminal e cerca de 5 por cento no caminho total, somando o alimentador e o ramal. No Brasil, a NBR 5410 fixa limites por tipo de instalacao, com um valor da ordem de 4 por cento em muitos casos entre a origem e o ponto de utilizacao, e limites menores para trechos terminais.
O limite existe para proteger o equipamento no fim da linha. Um motor que recebe tensao baixa demais perde torque de partida, aquece mais e envelhece antes da hora. Iluminacao e eletronica tambem degradam com tensao reduzida. Manter o ramal perto de 3 por cento e o caminho inteiro perto de 5 por cento e uma margem conservadora que preserva o desempenho e a vida do que esta ligado. A calculadora usa o percentual que voce informar, para que o dimensionamento reflita o criterio da sua norma e do seu tipo de circuito.
Subir ao proximo valor padrao
Condutores nao sao fabricados em qualquer area. Eles seguem uma escada de valores padronizados, e o dimensionamento sobe ao menor valor da escada que fique igual ou acima da area calculada. A escada metrica da NBR 5410 usa as secoes 1,5, 2,5, 4, 6, 10, 16, 25, 35, 50, 70, 95, 120, 150, 185 e 240 mm2. Cada degrau e um cabo de catalogo, e a area calculada quase nunca cai exatamente sobre um deles.
No exemplo padrao a queda de tensao pede uma area minima de 25,9 mm2. O degrau imediatamente abaixo, 25 mm2, fica pouco abaixo desse valor e por isso nao cobre a queda; o menor valor padrao igual ou acima de 25,9 mm2 e 35 mm2. Nunca arredonde para baixo, porque isso deixa o cabo sem margem no criterio que definiu a escolha. A NBR 5410 tambem fixa secoes minimas independentes do calculo: 1,5 mm2 para circuitos de iluminacao e 2,5 mm2 para circuitos de tomadas, entao nenhum condutor de forca desce abaixo desses pisos.
Cobre e aluminio
O cobre e o aluminio conduzem de forma diferente para a mesma area. O aluminio tem resistividade maior, entao conduz cerca de 61 por cento da corrente de um cobre de mesma secao e provoca uma queda de tensao maior. Na pratica, trocar cobre por aluminio quase sempre exige subir uma ou duas bitolas para atender aos mesmos dois criterios. Por isso o aluminio e comum apenas a partir de secoes maiores, da ordem de 16 mm2, que equivale a cerca de 6 AWG, e raramente aparece em circuitos terminais pequenos.
A escolha do material e economica e mecanica ao mesmo tempo. O aluminio pesa menos e custa menos por metro, o que compensa em alimentadores longos e de secao grande, mas exige conectores apropriados e cuidado com a fluencia do metal nas conexoes. O cobre e mais denso em corrente e mais tolerante em conexoes, o que o mantem como padrao em ramais e em espacos apertados. A calculadora aplica a resistividade do material que voce escolher tanto na queda de tensao quanto na capacidade, para que a comparacao entre os dois metais seja direta.
Ler o criterio que define e a queda real
Depois de calcular a bitola por cada criterio, a ferramenta mostra qual dos dois define a escolha, ou seja, qual produziu a maior bitola. No exemplo padrao a capacidade de corrente pede 25 mm2 e a queda de tensao pede 35 mm2, entao a queda de tensao define. Saber qual criterio manda ajuda a agir: se a queda define, encurtar o trecho ou subir a bitola reduz a perda; se a capacidade define, melhorar a instalacao ou reduzir o agrupamento ajuda mais.
Junto vem a queda de tensao real na bitola escolhida, e nao apenas o limite. Como a bitola sobe de 25,9 mm2 calculados para 35 mm2 padrao, a area maior derruba a queda abaixo do limite. No exemplo padrao, a queda real no cobre de 35 mm2 e de 8,9 V, ou 2,22 por cento, confortavelmente dentro dos 3 por cento pedidos. A ferramenta tambem mostra a capacidade de conducao dessa bitola, 125 A no caso, bem acima dos 80 A de projeto, o que confirma que o cabo tem folga nos dois criterios.
Derivar a corrente a partir de kW
Nem sempre a corrente e conhecida diretamente; muitas vezes o dado disponivel e a potencia da carga em kW. A calculadora aceita a carga em kW junto com o fator de potencia e converte para corrente antes de dimensionar. Em um circuito trifasico a corrente e a potencia em watts dividida pela raiz de tres, pela tensao entre fases e pelo fator de potencia. Em um circuito monofasico a corrente e a potencia dividida pela tensao e pelo fator de potencia, sem a raiz de tres.
O fator de potencia importa porque a corrente que aquece o condutor e a corrente total, ativa mais reativa, e nao apenas a parcela que faz trabalho util. Uma carga de fator de potencia baixo puxa mais corrente para a mesma potencia ativa, o que aumenta tanto o aquecimento quanto a queda de tensao. Informar o fator de potencia real da carga aproxima a corrente calculada da corrente de campo, e por isso a bitola resultante reflete o que o circuito de fato conduz.
Os limites do metodo
Este e um primeiro dimensionamento, e nao um projeto eletrico completo. A conta atende aos dois criterios principais, capacidade de corrente e queda de tensao, mas usa uma capacidade de referencia unica e nao aplica as tabelas completas de correcao por metodo de instalacao, por temperatura ambiente e por agrupamento. Em um cenario real de campo, esses coeficientes podem reduzir a capacidade e obrigar uma bitola acima da que a ferramenta indica.
O metodo tambem nao dimensiona o condutor para a suportabilidade a curto-circuito, que verifica se o cabo aguenta a corrente de falta pelo tempo de atuacao da protecao sem danificar o isolamento. Nao trata o preenchimento de eletroduto, que limita quantos cabos cabem num mesmo conduite, nem os harmonicos, que aumentam a corrente no neutro em cargas nao lineares, nem as regras de condutores em paralelo. Confirme o resultado com a norma local, a NBR 5410 no Brasil, o NEC nos Estados Unidos e a NOM no Mexico, e com um profissional habilitado antes de executar.
Onde esta calculadora se encaixa
Ela serve a quem precisa de uma bitola defensavel antes de fechar o projeto ou comprar o cabo: engenheiros eletricistas, projetistas de instalacoes, eletrotecnicos, gerentes de manutencao e integradores de infraestrutura de planta. O calculo separa o que costuma ser confundido, a capacidade de corrente e a queda de tensao, e mostra por que um trecho longo puxa uma bitola maior do que a tabela de capacidade sugeriria sozinha.
Como a ferramenta expoe cada passo, ela tambem serve para estudar cenarios: quanto a bitola cai se o trecho encurtar, o que acontece com a queda se a tensao subir, ou quanto o aluminio penaliza a secao em relacao ao cobre. O grafico compara a bitola por capacidade e a bitola por queda de tensao lado a lado, para que a decisao seja visivel e facil de explicar a quem revisa o projeto.
Erros comuns a evitar
O primeiro erro e dimensionar so pela capacidade de corrente e ignorar a queda de tensao, o que reprova em alimentadores longos, onde o cabo da tabela conduz a corrente mas entrega tensao baixa demais no fim. O segundo e dimensionar so pela queda e esquecer a capacidade, o que pode acontecer em trechos curtos com corrente alta, onde a queda e pequena mas o cabo aquece. A regra de tomar a maior das duas bitolas evita os dois.
Um terceiro erro e usar o comprimento de ida e volta na formula, quando o valor a informar e o de uma via, ja que a formula considera o percurso completo pelo fator k. Um quarto e ignorar a carga continua e nao aplicar o acrescimo de 25 por cento na capacidade. Um quinto e tratar o aluminio como o cobre, sem subir a bitola para compensar a resistividade maior. Calcule os dois criterios, tome o maior, suba ao proximo valor padrao e confira a queda real na bitola escolhida.
Cinco exemplos resolvidos
Exemplo 1: a corrente de projeto
Comece com o cenario padrao: um alimentador trifasico de 400 V, corrente de carga de 80 A, comprimento de uma via de 100 m, condutor de cobre, queda de tensao permitida de 3 por cento e carga que nao e continua. Como a carga nao e continua, nenhum acrescimo se aplica, e a corrente de projeto e igual aos 80,0 A informados. Se a mesma carga fosse continua, a corrente de projeto seria 80 vezes 1,25, ou seja, 100 A, e a bitola por capacidade subiria de degrau. A corrente de projeto e a base dos dois criterios: a capacidade compara a corrente com a tabela, e a queda de tensao usa a corrente na formula.
Exemplo 2: a bitola por capacidade de corrente
O primeiro criterio pergunta qual a menor bitola cuja capacidade de conducao cobre os 80,0 A de projeto. Na escada metrica de cobre, o degrau de 25 mm2 tem capacidade de referencia da ordem de 101 A no metodo de instalacao adotado, o que cobre os 80 A com folga. O degrau anterior nao chega aos 80 A com margem, entao a bitola por capacidade de corrente e 25 mm2. Se o dimensionamento parasse aqui, so na capacidade, a escolha seria 25 mm2. Mas esse e apenas o primeiro dos dois criterios, e ainda falta verificar a queda de tensao no trecho de 100 m.
Exemplo 3: a bitola por queda de tensao
O segundo criterio calcula a area minima que mantem a queda dentro de 3 por cento. Aplicando S = raiz de tres x 0,0224 x 100 x 80 dividido por (400 x 0,03), o resultado e 25,9 mm2. Esse e o menor cobre teorico que segura a queda de tensao no trecho, mas 25,9 mm2 nao e um valor de catalogo. Subindo para o proximo degrau padrao da NBR 5410, o menor valor igual ou acima de 25,9 mm2 e 35 mm2. Repare que a area minima, 25,9 mm2, ja passou do degrau de 25 mm2 que a capacidade havia indicado, o que sinaliza que a queda vai mandar.
Exemplo 4: tomar a maior
Agora compare os dois criterios. A capacidade de corrente pediu 25 mm2 e a queda de tensao pediu 35 mm2. A regra de dimensionamento escolhe a maior das duas bitolas, porque o cabo precisa atender aos dois criterios ao mesmo tempo. Como 35 mm2 e maior que 25 mm2, a queda de tensao define a escolha, e a bitola recomendada e 35 mm2. Um cabo de 25 mm2 conduziria os 80 A sem aquecer, mas perderia tensao demais nos 100 m; por isso o trecho longo empurra a bitola para cima do que a tabela de capacidade sozinha indicaria.
Exemplo 5: conferir a queda real
Com a bitola de 35 mm2 escolhida, confira a queda de tensao real. Como a area subiu de 25,9 mm2 calculados para 35 mm2 padrao, a secao maior derruba a perda abaixo do limite. A queda real no cobre de 35 mm2 e de 8,9 V, o que equivale a 2,22 por cento da tensao de 400 V, bem dentro dos 3 por cento permitidos. A capacidade de conducao desse mesmo cabo e da ordem de 125 A, muito acima dos 80 A de projeto, o que confirma folga nos dois criterios. Um trecho mais curto ou uma bitola maior reduziriam a queda ainda mais.
Tres dicas de especialista
Dimensione sempre pela maior das duas bitolas
A tentacao e parar no primeiro criterio que der uma resposta, em geral a capacidade de corrente, porque e o que a tabela mostra de imediato. Mas um cabo que passa na tabela de capacidade ainda pode reprovar na queda de tensao de um trecho longo, e o inverso acontece em um circuito curto e pesado, onde a queda e pequena mas a corrente aquece o condutor. Calcule a bitola por cada criterio separadamente e adote a maior das duas. Essa unica regra evita tanto o cabo que aquece quanto o cabo que entrega tensao baixa demais no fim da linha.
Trate a queda de tensao como funcao do comprimento
A queda de tensao cresce em proporcao direta ao comprimento do trecho, entao alimentadores longos quase sempre sao definidos pela queda, e nao pela capacidade. Mantenha o circuito terminal perto de 3 por cento e o caminho inteiro, do alimentador ate o ponto de uso, perto de 5 por cento, porque tensao baixa demais rouba torque de partida do motor, aquece o equipamento e encurta a vida do isolamento. Quando o trecho for longo, verifique a queda antes de fechar a bitola, e considere subir um degrau em vez de operar no limite exato do percentual permitido.
Trate a capacidade de tabela como um ponto de partida
A capacidade de conducao que aparece na tabela vale para uma condicao de referencia, e o campo raramente e a referencia. Temperatura ambiente alta, varios circuitos carregados agrupados no mesmo eletroduto e o metodo de instalacao reduzem a capacidade real, cada um por um coeficiente menor que 1. Uma carga continua ainda acrescenta 25 por cento a corrente de projeto. Somados, esses fatores costumam empurrar a bitola de campo um degrau acima da que a tabela crua indicaria. Trate o valor de tabela como o comeco do calculo, aplique as correcoes da norma e confirme a bitola final com o projeto eletrico.
Perguntas frequentes
Como se dimensiona a bitola de um cabo?
A bitola se dimensiona por dois criterios que precisam ser atendidos ao mesmo tempo. Primeiro, a capacidade de corrente: escolha a menor bitola cuja capacidade de conducao cobre a corrente de projeto. Segundo, a queda de tensao: calcule a area minima que mantem a perda de tensao no trecho dentro do limite permitido. A bitola recomendada e a maior das duas, subida ao proximo valor padrao da NBR 5410. No exemplo trifasico de 400 V, 80 A e 100 m em cobre com 3 por cento de queda, a capacidade pede 25 mm2 e a queda pede 35 mm2, entao a queda define e a bitola e 35 mm2, com queda real de 8,9 V, ou 2,22 por cento.
Quais sao os dois criterios que decidem um cabo?
O primeiro criterio e a capacidade de corrente, tambem chamada de capacidade de conducao ou ampacidade: o cabo tem de conduzir a corrente de projeto sem que o isolamento aqueca acima da temperatura de regime. O segundo criterio e a queda de tensao: a perda ao longo do trecho tem de ficar dentro de um limite, para que o equipamento no fim da linha receba tensao suficiente. Os dois apontam bitolas diferentes conforme o circuito: trechos curtos com corrente alta costumam ser definidos pela capacidade, e trechos longos com corrente moderada pela queda de tensao. A regra e calcular os dois e adotar a maior bitola.
O que e a capacidade de corrente e o que a reduz?
A capacidade de corrente e um valor de tabela que depende do material do condutor, da temperatura de regime do isolamento e do metodo de instalacao. Um cobre de 25 mm2 com isolamento para 70 graus tem capacidade de referencia da ordem de 101 A em um metodo comum. Varios fatores reduzem esse valor: a temperatura ambiente elevada corta a capacidade, o agrupamento de varios circuitos carregados no mesmo eletroduto ou bandeja corta a capacidade porque os cabos se aquecem mutuamente, e o metodo de instalacao muda a dissipacao de calor. Cada fator multiplica a capacidade de tabela por um coeficiente menor que 1, entao a capacidade real de campo costuma ficar abaixo do valor de referencia.
O que e o acrescimo de 125 por cento para carga continua?
Uma carga e continua quando opera na corrente maxima por tres horas ou mais, como iluminacao permanente, cargas de processo e muitos motores em regime. Para uma carga continua, a boa pratica dimensiona o condutor e a protecao para 125 por cento da corrente, multiplicando por 1,25, o que cobre o aquecimento acumulado ao longo de horas sem interrupcao. No exemplo padrao a carga nao e continua, entao a corrente de projeto e igual aos 80 A. Se fosse continua, a corrente de projeto passaria a 100 A e a bitola por capacidade subiria de degrau. O acrescimo se aplica ao criterio de capacidade, que trata do aquecimento; a queda de tensao usa a corrente de operacao real.
Qual e a formula da queda de tensao?
Em um circuito monofasico a queda e Vd = 2 x rho x L x I / S, com o fator 2 porque a corrente percorre a ida e a volta. Em um circuito trifasico equilibrado a queda entre fases e Vd = raiz de tres x rho x L x I / S. Aqui rho e a resistividade, cerca de 0,0224 ohm mm2 por metro para o cobre aquecido, L e o comprimento de uma via em metros, I e a corrente e S e a area em mm2. Para dimensionar, inverta a formula: a area minima e S = k x rho x L x I / Vd_permitida, com k igual a 2 no monofasico e raiz de tres no trifasico. No exemplo padrao, S = raiz de tres x 0,0224 x 100 x 80 dividido por (400 x 0,03), o que da 25,9 mm2.
Qual a diferenca entre monofasico e trifasico na formula?
A diferenca esta no fator k da formula da queda de tensao. Em um circuito monofasico k vale 2, porque a corrente percorre o condutor de ida e o de volta, e os dois percursos somam queda. Em um circuito trifasico equilibrado k vale a raiz de tres, cerca de 1,732, porque a queda relevante e a de linha entre fases e a corrente se reparte entre as tres. Para a mesma corrente, comprimento e area, o trecho trifasico apresenta uma queda menor que o monofasico. A calculadora aplica o k correto conforme a fase que voce seleciona, tanto na area minima por queda quanto na queda real da bitola escolhida.
Qual e a queda de tensao permitida?
O limite depende do tipo de circuito e da norma. Na pratica dos Estados Unidos, recomenda-se cerca de 3 por cento em um circuito terminal e cerca de 5 por cento no caminho total, somando alimentador e ramal. No Brasil, a NBR 5410 fixa limites por tipo de instalacao, com um valor da ordem de 4 por cento em muitos casos entre a origem e o ponto de utilizacao, e limites menores nos trechos terminais. O limite existe para proteger o equipamento no fim da linha: tensao baixa demais rouba torque de motores, aquece cargas e degrada eletronica. A calculadora usa o percentual que voce informar, para refletir o criterio da sua norma e do seu circuito.
Por que tomar a maior das duas bitolas?
Porque o condutor precisa atender aos dois criterios ao mesmo tempo, e nao apenas a um. Se voce dimensiona so pela capacidade de corrente, o cabo conduz a corrente sem aquecer, mas pode perder tensao demais em um trecho longo. Se voce dimensiona so pela queda de tensao, o cabo entrega tensao suficiente, mas em um circuito curto e pesado pode aquecer alem do limite do isolamento. Tomar a maior das duas bitolas garante que o criterio mais exigente seja satisfeito, e o outro fica automaticamente atendido com folga. No exemplo padrao, a queda pede 35 mm2 e a capacidade pede 25 mm2, entao a escolha e 35 mm2.
Qual a diferenca entre cobre e aluminio?
O aluminio tem resistividade maior que o cobre, entao conduz cerca de 61 por cento da corrente de um cobre de mesma secao e provoca uma queda de tensao maior. Trocar cobre por aluminio quase sempre exige subir uma ou duas bitolas para atender aos mesmos dois criterios. Por isso o aluminio e comum apenas a partir de secoes da ordem de 16 mm2, que equivale a cerca de 6 AWG, e raramente aparece em circuitos terminais pequenos. O aluminio pesa e custa menos por metro, o que compensa em alimentadores longos, mas exige conectores apropriados e cuidado com a fluencia nas conexoes. O cobre e mais denso em corrente e mais tolerante em conexoes.
Por que a bitola vem em mm2 e nao em AWG?
No Brasil, os condutores seguem a escada metrica da NBR 5410, expressa em mm2 de area da secao, com os valores 1,5, 2,5, 4, 6, 10, 16, 25, 35, 50, 70, 95, 120, 150, 185 e 240 mm2. O sistema AWG, usado nos Estados Unidos, expressa a bitola por um numero de calibre que diminui conforme o fio engrossa. As duas escalas descrevem a mesma grandeza fisica, a area do condutor, e ha equivalencias aproximadas: 25 mm2 fica proximo de 4 AWG, e 35 mm2 proximo de 2 AWG. Esta calculadora trabalha em mm2 para alinhar com a norma brasileira e o material disponivel no mercado local.
Como derivar a corrente a partir de kW?
Quando o dado disponivel e a potencia em kW e nao a corrente, a calculadora converte usando o fator de potencia. Em um circuito trifasico a corrente e a potencia em watts dividida pela raiz de tres, pela tensao entre fases e pelo fator de potencia. Em um circuito monofasico a corrente e a potencia dividida pela tensao e pelo fator de potencia, sem a raiz de tres. O fator de potencia importa porque a corrente que aquece o condutor e a total, ativa mais reativa, e nao apenas a que faz trabalho util. Uma carga de fator de potencia baixo puxa mais corrente para a mesma potencia, o que aumenta o aquecimento e a queda de tensao.
O que o metodo deixa de fora?
Este e um primeiro dimensionamento e atende aos dois criterios principais, capacidade de corrente e queda de tensao, mas usa uma capacidade de referencia unica e nao aplica as tabelas completas de correcao por metodo de instalacao, temperatura ambiente e agrupamento, que podem reduzir a capacidade e exigir uma bitola maior. Nao dimensiona a suportabilidade a curto-circuito, que verifica se o cabo aguenta a corrente de falta pelo tempo da protecao. Nao trata o preenchimento de eletroduto, os harmonicos que aumentam a corrente no neutro em cargas nao lineares, nem as regras de condutores em paralelo. Confirme com a NBR 5410 e um profissional habilitado antes de executar.
Quais sao as secoes minimas da NBR 5410?
A NBR 5410 fixa secoes minimas independentes do calculo de capacidade e queda, para garantir robustez mecanica. Para circuitos de iluminacao, a secao minima de cobre e 1,5 mm2. Para circuitos de tomadas de uso geral, a secao minima e 2,5 mm2. Circuitos de forca e alimentadores partem de secoes maiores conforme a corrente. Isso significa que, mesmo que o calculo de queda e capacidade indique uma area menor, a bitola nao desce abaixo desses pisos. No exemplo padrao a bitola calculada, 35 mm2, esta muito acima dos minimos, entao o piso nao interfere; ele so importa em circuitos terminais de baixa corrente.
Calculadoras de infraestrutura industrial relacionadas
Iluminacao Industrial (Metodo dos Lumens)
Calcule quantas luminarias uma area precisa para atingir o nivel de iluminancia alvo.
Renovacoes de Ar por Hora (ACH)
Dimensione a vazao de ventilacao a partir do volume do ambiente e das trocas de ar exigidas.
Carga Termica HVAC
Estime a carga de refrigeracao de um espaco para escolher a capacidade do sistema.
Todas as ferramentas deste silo agora estao no ar. Volte ao hub de Infraestrutura Industrial para ver o conjunto completo.
Fontes, isencao de responsabilidade e transparencia editorial
O metodo de dimensionar o condutor pelos dois criterios, a capacidade de corrente e a queda de tensao, tomar a maior bitola e subir ao proximo valor padrao segue praticas reconhecidas de engenharia eletrica e a NBR 5410, incluindo o material da Projetos Eletricos JC sobre dimensionamento de condutores pela NBR 5410 e a Engehall com a tabela de bitolas e capacidades de cabos. As formulas usam a resistividade do cobre aquecido e a fase informada, e recomenda-se confirmar os coeficientes de correcao por instalacao, temperatura e agrupamento com a norma. Esta calculadora e este guia sao construidos e revisados pela equipe da OpsCalculators; veja a nossa Politica Editorial para saber como cada ferramenta e pesquisada, construida e testada.
Os resultados sao estimativas para planejamento e educacao, e nao substituem um projeto eletrico assinado nem a consulta a norma vigente. O metodo modela um primeiro dimensionamento e nao trata a suportabilidade a curto-circuito, o preenchimento de eletroduto, os harmonicos, os condutores em paralelo nem as tabelas completas de derating por instalacao, temperatura e agrupamento, entao valide o resultado antes de uma decisao de projeto ou de compra. Veja a nossa Aviso Legal completa. A OpsCalculators.com e operada pela MAFHH INTERNATIONAL LTD. Os seus dados sao processados no navegador e nunca sao armazenados; veja a nossa Politica de Privacidade.